Virada de chave CLT é o termo informal que as pessoas utilizam no meio empreendedor, para ilustrar o momento em que uma pessoa deixa de ser funcionário contratado CLT, para se tornar autônomo ou empreendedor, e é justamente sobre este momento que quero conversar com você.

Apesar de não ser adepta ao termo, o conceito me leva para diversas reflexões.

Em meio a tantas mudanças que estão ocorrendo no mundo, percebo que as pessoas estão questionando o sentido da vida, e isso fez com que elas também repensassem seus modelos de trabalho.

Antigamente, quando ainda estávamos na faculdade, nos era apresentado apenas uma maneira de se “ganhar” a vida, que era seguindo carreira em empresas multinacionais, bancos ou pelos concursos públicos. 

No entanto, com a mudança entre as gerações, a busca por qualidade de vida começou a se tornar prioridade para muita gente.

Claro que quando trago essa conversa aqui, não quero generalizar as coisas, muito menos romantizar a busca por uma vida melhor, pois sei que esta realidade não pertence a todos.

O que realmente pretendo discutir, são as percepções que tenho em relação a este momento de “virada de chave” que acontece na vida de algumas das pessoas que passaram pela consultoria, ou que acabo esbarrando entre uma conversa e outra.

Trabalhando com empreendedores há mais de sete anos, vejo que muitas dessas pessoas, tinham carreiras promissoras, mas que ao se aposentarem ou em algum momento fatídico de suas vidas, decidiram empreender naquilo que sonhavam.

Na consultoria atendi arquitetos, letrólogo, dentista, enfermeira, comunicador, psicólogo, biólogo, economista, fisioterapeuta, nutricionista e inúmeros advogados entre outros profissionais. Alguns deles vinham de experiências em multinacionais, enquanto outros queriam apenas mudar da área de atuação de suas formações acadêmicas, mas o que tinham em comum, era querer algo de mais sentido em suas vidas.

Nem todos eles, buscaram elaborar um plano de negócios ou se estruturaram profissionalmente antes de abrirem seus empreendimentos, alguns poucos conseguiram alcançar o sucesso assim mesmo, enquanto a maioria encontrou dificuldade em administrar seus negócios.

Essa busca pela mudança, iniciou muito antes das crises que estamos passando atualmente no mercado, porém, percebo que após o ano de 2020, ela se intensificou.

Conversando com amigos e aspirantes à empreendedores, comecei a constatar que muitos temem pelo futuro de seus empregos, ou não querem voltar para o antigo modelo de trabalho, e toda essa reviravolta esta fazendo com que questionem o sentido de tudo.

Não sou a pessoa mais otimista para ser consultada no momento de abrir um negócio, porque o meu papel no empreendedorismo, é justamente levar as pessoas à reflexão.

Porém, também não sou aquela totalmente pessimista afirmando que empreender não é um bom caminho. Aqui é preciso ser realista, pois as estatísticas daqueles que fecham os negócios abertos nos primeiros dois anos no Brasil são preocupantes, e acredite, muitos fecham pela falta de estratégia.

Em um passado distante, conheci muitos empreendedores que sem nenhum planejamento, conseguiram colocar suas ideias no ar e elas realmente deram certo, mas naqueles tempos, o comportamento da economia era outro, hoje é preciso ter cautela.

Então se você pensa em empreender, tomo a liberdade de te deixar alguns pontos para poder refletir:

  1. Faça uma lista de prós e contras da sua ideia;
  2. Entenda qual a necessidade das pessoas, para a partir daí, desenvolver algo que possa suprir essa necessidade;
  3. Compreenda quanto você pode investir no negócio;
  4. Liste os custos fixos e variáveis;
  5. Tenha em mente, qual é o seu ponto de equilíbrio financeiro, ou seja, qual o valor mínimo deverá ser vendido no mês para que o negócio exista;
  6. Não se esqueça de calcular um pró-labore (o salário do empreendedor) que seja compatível com a realidade do caixa e se equilibre com sua necessidade de vida pessoal;
  7. Busque ajuda de especialistas na área, investir neles é importante, pois evitará que você corra grandes riscos no futuro;
  8. E estruture sua comunicação para que ocorra a venda, porque ela trará o sustento do seu negócio.

Do mais, seguindo ao menos estes passos, você diminuirá os riscos de insucesso na sua virada de chave CLT.

Publicado por Elisangela Baptista

Ama viagens, lama, trilhas e outras aventuras. Consultora e mentora estratégica em negócios. Aspirante à Escritora. Educadora em Empreendedorismo. Palestrante. Atua na área desde 2004.

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