Bruna, Joana, Raquel e Letícia, são mulheres empreendedoras, com desafios diários nos negócios e em suas vidas pessoais, mas quando se encontram, mesmo que virtualmente, conseguem liberar as frustrações, expandir a visão e rir, rir muito de suas experiências.

Era uma segunda-feira, a semana estava apenas começando, quando Bruna, decidida a abrir mão do trabalho CLT, mas precisando de um apoio das amigas, as chamou no grupo de whatsapp, para falar sobre sua decisão.

Joana, por sua vez, tirou uma foto do próprio aplicativo de bate-papo, com uma criança no colo, uma toalha na cabeça e uma máquina de roupas entupida ao fundo, dando a ideia de uma reunião extraordinária, pois aquele era um momento importante.

Raquel, chegou um pouco depois, dizendo que esta conversa merecia vinho e uma produção, já cansada de tantas regras falou: “segunda-feira com vinho é tudo o que preciso, para mostrar para o mundo, que quem determina quando e onde beber, sou eu”.

A Letícia, que tem formado seu próprio grupo de inadequadas, avisou que se fosse necessário, fecharia a floricultura mais cedo, para ter essa conversa, com elas, realmente poderia se abrir, sabendo que não haveriam julgamentos descabidos.

O encontro foi marcado para às sete horas, daquela mesma noite. 

Uma noite gelada, de uma semana que seria curta por conta de um feriado na próxima quinta-feira. Lá fora, a lua cheia estava aparente, tornando um elo entre todas as quatro garotas, ao olharem para as janelas de suas casas.

Ali, seriam apenas elas, sem maridos, namorados, filhos, trabalho, o que realmente importava era este momento único, de seus encontros esporádicos.

Bruna, havia colocado na geladeira seu vinho favorito, além de deixar separado uma porção de queijo brie, pois a ocasião pedia. Não era todos os dias que se decidia, renunciar a tudo o que aparentava ser certo, para trocar pelo duvidoso.

Ela se serviu de uma generosa taça de vinho tinto e sua porção de queijo cortado, se encaminhou para a escrivaninha e ligou o computador. Este encontro, não seria como os do passado, com abraços, sem máscaras e muito contato. Mas, havia se adaptado bem, ao que o mundo digital lhe oferecia.

Testou sua camera e abriu o aplicativo de chamada em vídeo, estava pronta para conversar com suas amigas inseparáveis, aliás, se tornaram inseparáveis, depois que começaram a publicar em suas redes sociais, suas frustrações com o empreendedorismo, utilizando # que pelo acaso ou pelo algoritmo, as conectaram e elas estão aqui. Há quatro anos, essa amizade nasceu, e isso as fortaleceu como pessoas, por entenderem que não estavam só com seus questionamentos.

Ela abriu a sala de reunião e rapidamente, publicou o link de acesso para o grupo de amigas.

Letícia entrou, mostrando o arranjo de flores que preparou para a ocasião, imaginando que de alguma maneira, aquelas flores, eram o presente que ela gostaria de entregar pessoalmente para Bruna, para que se sentisse apoiada em sua decisão.

Joana esbaforida chegou, com um baita pedaço de pizza na mão, gritando para a porta: já falei que não quero ser interrompida, falem com o papai, pois hoje, teremos pizza para o jantar.

Claro que todas começaram a rir, pois assim eram as suas conversas, com descontração e a realidade acontecendo nos bastidores.

A Raquel, estava com dificuldades em sua conexão, entrou, caiu, entrou novamente e ficou, reclamando que essa internet está cada vez pior, principalmente nos dias que ela mais precisa.

Estavam todas ali, prontas para serem o ouvido da Bruna. 

Naquele dia, nada era mais importante, do que apoiar a grande decisão que ela havia tomado.

Bruna, falou: meninas, hoje foi o dia de uma das maiores decisões da minha vida, pedi demissão no trabalho e comecei a cumprir o aviso prévio, sei que faz dois anos que estou nesta jornada dupla, que as contas não fecham no final do mês, mas do jeito que estava, não iria conseguir viver nesta rotina por muito tempo e sinto que o meu negócio, precisa de mim. Mas sabem o que é o mais importante disso tudo? Vocês foram as minhas principais apoiadoras, como primeiras clientes e incentivadoras. Agora, finalmente vou conseguir cumprir o prazo que havia prometido para vocês. 

Neste momento sua voz embargou, e ela não foi capaz de segurar suas emoções. Logo, as lágrimas quentes, rolaram pelo seu rosto, numa mistura de insegurança e alívio, de medo e gratidão.

Um brinde coletivo foi feito e a conversa rolou solta por noite à dentro.

Bruna, não queria a opinião de suas amigas, queria apenas o apoio de ambas e foi isso o que recebeu.

Agora, sua vida não seria mais a mesma, ela havia apostado em colocar toda a sua energia no seu negócio, e estava disposta a tudo para que ele desse certo.

Neste grupo, ela sentia segurança e via nas amigas, uma inspiração para dar os próximos passos.

O que virá é incerto, mas tudo dependerá do que ela vai construir no agora.

Publicado por Elisangela Baptista

Ama viagens, lama, trilhas e outras aventuras. Consultora e mentora estratégica em negócios. Aspirante à Escritora. Educadora em Empreendedorismo. Palestrante. Atua na área desde 2004.

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