Devemos ter responsabilidade em nossas falas e ações, e isso não difere quando falamos de empreendedorismo.

Há exatamente sete anos (que se completa na próxima semana) falo de negócios, gestão, estratégia e finanças para outras pessoas, isso significa, que tudo o que eu digo no trabalho, interfere diretamente na vida de cada empreendedor que passa pela minha jornada.

Me recordo que nas primeiras reuniões de consultoria, não dormia de ansiedade, sentia angústia e medo, muito medo de indicar algo para alguém e que essa indicação gerasse resultados negativos. Naquela época, já tinha formação em administração, MBA pela FGV, vários cursos complementares e dez anos de experiência na área administrativa, mas mesmo assim, o peso que sentia nos ombros era grande.

Sei exatamente que as indicações são de minha responsabilidade, mas que as ações do empreendedor não, porém, quando o proprietário de um negócio recorre a qualquer profissional especializado, ele está de certa forma, depositando toda  expectativa e esperança nesta pessoa, e é por esta razão, que os profissionais que fazem as indicações, que oferecem conselhos, devem ter cautela, pois estão lidando com vidas.

Este texto talvez, seja mais voltado para os profissionais, que se dizem especialistas em suas áreas que prometem soluções, do que para o empreendedor que nos acompanha nas redes, aqui ficará o meu mais profundo desabafo sobre este assunto.

Não é novidade para ninguém, que no Brasil, a maioria das pessoas que empreendem, o fazem por necessidade e não por vocação ou paixão. 

É comum para mim, conhecer pessoas que perderam seus trabalhos oficiais, ou que não encontraram vaga em suas áreas e que em meio ao desespero, decidem abrir um negócio, como sendo a última alternativa, para conseguir honrar com seus compromissos financeiros, este perfil de empreendedor, tem muito a perder se investir os únicos recursos que tem, em uma indicação irresponsável.

Certa vez, conheci uma mãe empreendedora, que tinha uma ideia completamente inovadora, um produto que não era conhecido em nosso país, seria necessário um grande planejamento estratégico e pesquisas. O marido, seu principal investidor, tinha poucos recursos para investir em sua ideia, portanto, não poderiam correr riscos de perder o único dinheiro extra da família.

Ela recorreu a um profissional especializado do mercado, e a indicação foi que lançasse essa ideia imediatamente, aproveitando uma data festiva que estava se aproximando, sem estruturação, pesquisa e qualquer planejamento. O resultado disso? Depois de cerca de um ano, a empreendedora entregou o imóvel alugado e recém-reformado, abandonou a ideia inicial e tinha um saldo negativo de mais de trinta mil reais no banco.

Aqui, não estou querendo apontar os erros de alguém, empreender é uma montanha-russa, onde tudo pode acontecer, não há garantias de que a ideia será um sucesso, é preciso arriscar-se para saber, no entanto, um risco consciente e calculado.

Mas, é preciso dizer, que a ideia desta empreendedora poderia ter sido lançada sim, após um trabalho minucioso. Este planejamento diminuiria os riscos dela perder seus únicos recursos financeiros e ainda, os diversos problemas que foram gerados na família.

Além desta história, tenho várias outras para exemplificar, como aconselhamentos sem embasamento, pode gerar resultados catastróficos. 

Nós, como profissionais considerados aconselhadores, devemos pensar muito antes de fazer indicações.

Ontem, após semanas sem sair de casa e conviver com outras pessoas, digo isso, porque estamos em uma pandemia de grandes proporções, fui em um salão cortar meu cabelo e uma ajudante contratada do local, me fez várias perguntas sobre meu trabalho, no momento que respondi, ela começou a falar sem parar, sobre todas as suas empreitadas. Não demorou muito, ela encerrou a conversa perguntando: qual é a solução para mim?

Eu disse: se a solução fosse assim tão rápida, você mesmo teria resolvido sozinha.

Havia me esquecido, o quanto as pessoas começam a falar sem parar para respirar, quando digo que sou consultora de negócios e no final dos discursos, sim, parecem discursos em palanque, sempre vem a pergunta: o que faço agora?

Seria leviano de minha parte, se depois que conversasse cinco minutos com uma pessoa, disparasse aconselhamentos. Cada negócio tem sua particularidade, portanto estratégias diferentes.

Talvez o problema esteja comigo em ser sistemática demais ao lidar com este assunto, porém no meu ponto de vista, não há como aconselhar pessoas e não ser responsável por elas, não podemos dar indicações superficiais, sem nos lembrar que ali pode ser o tudo ou nada na vida daquele empreendedor.

De alguns anos para cá, encontrei diversos profissionais, que diziam querer ser consultores também, o que acho válido, porque o mercado precisa de pessoas que cuidem dos negócios de outras pessoas, mas o que me preocupa, é ver que, alguns desses profissionais, mal sabem o que estão fazendo e colocam empreendimentos e vidas em risco.

Se você profissional, leu este texto, lembre-se que você lida com negócios sim, mas primeiro, você lida com pessoas.

Se você empreendedor, ainda está por aqui, seja exigente e criterioso na escolha dos profissionais que você terá como conselheiro.

Toda e qualquer relação, entre profissional especializado e empreendedor, deve ser baseado na empatia. Com empatia, nós profissionais, conseguiremos perceber o grau de responsabilidade que devemos ter em cada palavra dita. Aliás, convenhamos, isso serve para a vida em todos os aspectos e não apenas para os negócios.

Publicado por Elisangela Baptista

Ama viagens, lama, trilhas e outras aventuras. Consultora e mentora estratégica em negócios. Aspirante à Escritora. Educadora em Empreendedorismo. Palestrante. Atua na área desde 2004.

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